A paralisia diante do medo de errar
- Victória Gomes
- 22 de abr.
- 2 min de leitura
Atualizado: 29 de abr.
“Pior que a vida é a não-vida
do que se faz espectador;
nem mergulha, nem nada, nem conhece
o mar fundo:
está sempre à beira da estrada”.
Esse fragmento da poesia de Marly Oliveira nos convida a pensar sobre a passividade diante da própria vida, motivada, comumente, pelo medo de errar: qual vida estamos vivendo e qual vida gostaríamos de viver?
Ao longo da existência, seguir a passagem dos movimentos que são tidos como certos parece ser mais seguro do que buscar aquilo que é verdadeiramente desejado. A inércia empurra o ser diante dos acontecimentos, e tomar decisões próprias se torna um ato evitado e ignorado. A vida vai passando e escoando, e, na tentativa de evitar a dor, a falha e o erro, abdica-se do sentir, da conexão, da experimentação e do prazer. Mesmo assim, a angústia ou a apatia insiste em dizer que algo não vai bem, convocando coragem para revisitar o que precisa ser enfrentado.
Será que a existência deve ser guiada pela paralisia diante do medo de errar e falhar? O que pode estar por trás disso? E o que é perdido com isso?

Muitas vezes, a curiosidade e o interesse pelas coisas são diminuídos para tentar caber na realidade contada e idealizada pelo outro. Inicia-se uma busca por fórmulas exatas que possam levar à garantia de que “vai dar tudo certo”. Afinal, o que é “dar certo”? E que promessas são essas, passíveis de serem sustentadas perante o acaso e suas surpresas?
A vida, muito pelo contrário, age sem realizar promessas, dando suas voltas em caminhos que nem são imaginados. Propõe experiências e sentimentos que ora são intensos, ora são brandos, ora são prazerosos e estimulantes, ora são difíceis e desgastantes. O que a vida nos dá, também, é a chance de escolher o que se quer ou construir ponte para contornar o que não se evita.
Diante disso fica a pergunta: será que é melhor ficar à margem ou se permitir ao mergulho na profundidade?









